DANÇA-ME
A dança e as sapatilhas foram o tema para Cou-de-Pied, para o Convento de São Paulo, em 2013. Um trabalho sobre o corpo em movimento. Inspirada pela citação de Baudelaire — “Uma obra feita não está necessariamente acabada, mas uma obra acabada não está necessariamente feita”, revisitou assim diversas peças, anos depois, acolhendo o inacabado como parte do processo.
Um elemento do peito do pé, ampliado à escala do homem, uma metáfora para o que sustenta. Poses de dança aparecem como cenas suspensas: um abraço, uma despedida carregada de simbolismo. Cada pintura guarda o silêncio, numa espécie de coreografia visual.

António de Castro Caeiro
“Cou de pied”, o pescoço do pé. Não quer dizer pontapé nem ponta do pé. Aristóteles dizia que a cabeça das plantas estava na raiz, porque é pela cabeça que comemos..... meu corpo cria o espaço e o ritmo do tempo, o silêncio não é mudo, como não há gestos bruscos sem brandos, nem mãos ao alto sem terem estado caídas, nem um só movimento sem o repouso.
Ou é o tempo que me esboça a ponta dos dedos dos pés? Porque te não abandono.
E quando me desmembro e estico ou me enrolo e curvo e giro em redor ou quando te piso ao aterrar em ti ou quando te abandono é sempre porque tu e eu, Oh Terra, somos o acorde.










